Victoria de Jesus

Viviane Freitas

  • 2
  • Nov
  • 2013

Victoria de Jesus

  • 2
  • Nov
  • 2013

Em Abril de 2013, algo começou a transformar-se dentro de mim.


Já se passaram 6 meses, que parecem ser 2 dias, e Deus colocou em minhas mãos um desafio: “O Projeto Raabe”.

Desde o princípio eu vi como uma grande oportunidade de ganhar almas, de chegar onde ainda não chegámos, com o objetivo de ajudar as mulheres a conhecer o seu valor, a sair de uma vida de maus tratos… a serem livres. Desde que soube da existência deste trabalho, o amei e vejo claramente como pode ajudar.

Muitas vezes, mais do as que possa contar, disse a Deus: “Tu confias demais em mim e vês em mim capacidades que não tenho”. Inclusive, algumas vezes disse: “Não vês que não sei, que não posso?” No entanto, eu via a Sua confiança através do que Ele me pedia; eram coisas muito grandes para mim, que não entendia.

Eu não conseguia ver o que só enxerguei depois…

Os meses passaram-se, lutei contra a minha natureza, buscando depender totalmente de Deus, porque sei que sem Ele não sou nada e não posso nada. Passei por diferentes situações que me fizeram ver quem eu era, e também quem eu não era. (Inclusive em uma ocasião eu me vi negando a Jesus, mas isso eu conto outro dia)

Eu era a Victoria, e não Jesus.

Com o Projeto Raabe eu fui aos presídios, aos prostíbulos, às ruas, aos hospitais, cheguei a diferentes lugares, mas o que não via era que ía sempre com alguém diante de mim, alguém que dava a cara por mim…

Uma querida amiga, estava à frente do trabalho na Espanha, nessa época, e foi com ela que conheci o trabalho nos prostíbulos. E outra amiga, Mariana, anteriormente responsável pelo Projeto foi quem me levou ao presídio. Eu ia com elas, fazia o trabalho, convidava as profissionais do sexo, falava com as presas, mas havia sempre alguém que me dizia o que tinha de fazer. Eu não era independente, não tinha iniciativa!

Em Agosto, a minha querida amiga foi enviada para o Equador, e desde Junho, Mariana tem outras responsabilidades. Eu vi-me sem ninguém que me guiasse… Chegou a hora de pegar o touro pelo chifre!

Durante esse período, sempre busquei dentro de mim. Queria ver onde estava o mal, o que faltava para eu ser o referencial de Deus; labaredas por onde for. E isso começou no presídio. O meu esposo, que é pastor, sempre estava presente nas visitas, mas em Setembro surgiram reuniões e outras responsabilidades que sempre coincidiam com os dias das visitas. Eu sabia que aquelas mulheres estavam ali, e que esperavam por nós, assim que finalmente eu decidi: Com ele ou sem ele eu vou visitar essas mulheres. Foi quando comecei a ver surgir em mim, uma iniciativa própria. Comecei a ir todas as semanas, mas não parou por aí.

Depois Deus cobrava-me o trabalho nos prostíbulos, e eu já sabia como chegar, com quem entrar em contato, mas desta vez não estava a minha amiga para ir à minha frente. Só que dentro de mim havia um fogo que queimava! Finalmente falei com os contatos e fui. Falámos com aquelas mulheres, vi lágrimas nos olhos de algumas, e mais que isso, tenho a certeza que verei os frutos.

O que entendi – e assumi – é que eu sou o Senhor Jesus aqui na Terra, e o diabo não tem limites nem vergonha de oferecer drogas, prostituição, e nem de estar em lugares onde ninguém quer estar. Mas são exatamente nesses lugares onde existem almas preciosas; exatamente aí estão as mulheres que foram abusadas, e hoje seguem sofridas e maltratadas.

As palavras do Bispo Macedo no Monte Hermon, são hoje uma realidade na minha vida! Eu só tive que assumir que eu tenho o que ninguém tem, e o que todos necessitam, e eu quero dar J!

Porque tenho de esperar que alguém me diga o que eu já sei que tenho que fazer, e a que porta bater? Sou eu quem tenho o poder de trazer à existência o que não existe! Só tenho que assumir quem sou e deixar bem claro quem não quero ser.

Compartilho essa experiência, porque quando vivemos dependendo dos demais, aparentemente tudo está bem e temos a sensação de que estamos a servir a Deus, mas enganamo-nos dizendo: “Já fiz, ajudei, eu fui…” Mas não verdade nada está bem, porque não é isso o que Deus quer. Na verdade está presa! Entendi que Ele ensinou-me por onde ir e que agora eu tenho que executar e ensinar a outras. Isso dá-me liberdade, vida, e é algo que se vai multiplicar. E, inclusive, devo transmitir mais do que recebi… Agora tenho outros objetivos e metas para alcançar.

Hoje sei que não quero ser Victoria, e sou o Senhor Jesus. Entendo a Sua confiança, e porque entrega talentos em nossas mãos que às vezes não entendemos – porque Ele não tem limites, e se vive em mim, por que eu me colocaria limites?

Espero poder ajudar com a minha experiência, e que hoje mesmo tome a iniciativa que já há algum tempo, Deus lhe está a mostrar.  Assuma quem você é, pois isso fará uma revolução na sua vida e também naqueles que estão perto de si.

Beijos a todas,

Victoria Câmara – Madrid, Espanha