De Filhos para pais: Sem moral

Andreia Petrucci

  • 28
  • Out
  • 2014

De Filhos para pais : Sem moral

  • 28
  • Out
  • 2014

Conversando com colegas, ouvindo testemunhos e histórias de vida, aprendemos muito acerca da vivência entre pais e filhos.


Percebemos de que forma o passado influenciou a personalidade daquele adulto, tornando-o, muitas vezes, naquilo que hoje o identifica.
E, desta feita, não me refiro à “má bagagem”, mas à força que cada um soube retirar das intempéries da vida e, uma vez aliados a Deus, reconstruíram um presente e futuro imunes à pesada herança do passado.

Sem dúvida o mundo jaz no maligno e a tendência humana é cada vez mais destrutiva, inclusive do Homem para consigo mesmo, o que, inevitavelmente, se estende à célula base da sociedade: a família. Mas há situações em que, mesmo que a pessoa professe uma fé e batalhe para manter sã a sua própria consciência e educar filhos em meio a esta geração, não deve descurar: o diálogo.

Como lhe contava há alguns posts atrás, vi a minha família desintegrar-se perante os meus olhos, mas há episódios que guardo, extremamente positivos e recompensadores, dos quais ainda hoje retiro lições de vida: As conversas com o meu pai, durante a hora das refeições. Ali, eu e o meu irmão ouvíamos com frequência: “Entre nós não há mentiras, e vocês nunca devem mentir…”; “Se vocês se deixarem influenciar por qualquer pessoa, perdem o vosso poder de decisão…”, entre vários outros ensinamentos-chave.

Sabem que mais? Não evitou que eu passasse por aquilo que deveria para aprender, mas de uma coisa não me posso queixar: a falta de diálogo. Alguém tentou, não apenas alertar-me, mas estava ali para ouvir, perceber as minhas necessidades e apoiar-me nas minhas frustrações.

Ensina a Criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22:6)

Quer que lhe seja bem sincera? Atualmente, a imagem que prevalece de uma casa, é cada um para seu lado, com o seu aparelho tecnológico, e os pais, tão cansados da sua luta diária, até agradecem pelo “videogame” nas mãos dos seus filhos, que afinal os vai distraindo enquanto eles preparam a lida doméstica e os afazeres. “Maravilhas da tecnologia”, dirá você! Mas, infelizmente, aquilo que a modernidade trouxe de bom para nos servir de apoio às tarefas mais básicas e suprir necessidades importantes, tem o seu excesso e, infelizmente, não tem conhecido limites, principalmente no seio familiar.

Por isso, pais e educadores se queixam tão frequentemente: “Pois, o meu filho não me ouve; não respeita; parece que não entende o que lhe digo…”. Talvez se falar a linguagem do último jogo que lhe comprou, se faça perceber melhor.

Com isto não quero dizer que não tenhamos de nos adaptar à inovação, claro que não! Eu mesma trabalho, diariamente, num laptop, com acesso à internet (imprescindível), onde, inclusive, Deus me dá a oportunidade de desenvolver o meu trabalho de evangelização. Mas assim como eu devo perceber que há limites para esta “ligação”, porque tenho outras prioridades, igualmente os pais devem perceber até que ponto a tecnologia não está a “educar” mais rapidamente os seus filhos.
Pensa que estou a exagerar? Quer um exemplo? Quais os castigos que hoje em dia mais “doem” às crianças? Não ir para a rua? Não ir brincar para a casa de um amiguinho? Não sair para passear no próximo fim de semana, ou jogar à bola? Não! Nada disso! Maioritariamente, as crianças e os jovens fazem “birras” porque lhes são retirados os privilégios dos “videogames” ou de aceder à internet a toda a hora e a qualquer momento. E, finalmente, quando os pais se apercebem disto, também têm a chance de ver o quão apegados a esses “brinquedos” lhes permitiram que se tornassem.

Por isso pais, ALERTA! Se pretende ter “moral” quando falar para os seus filhos, está igualmente nas suas mãos fazer uso da autoridade que lhe foi, sim, outorgada por Deus, a qual não deve ser ultrapassada mas também não subestimada. E não apenas de “castigar”, mas sobretudo de fazer o papel de amigo, companheiro, colega e mediador. E isso, não conseguimos fazer olhando fixamente para um ecrã de computador ou com um comando na mão. Nenhum de nós consegue. Ainda somos humanos, e, por isso, vivemos de relacionamentos. Não somos seres virtuais! O seu filho não recebe educação da televisão, do computador ou por intermédio da sua “playstation”, muito pleno contrário. Por favor, confira as estatísticas reais do quanto a tecnologia se pode tornar viciante – e sem medo de errar – com “poder”destruidor, dado por nós mesmos e por pais negligentes.

“A Internet representou um avanço na comunicação entre indivíduos fisicamente distantes. Mas o fenómeno não vem se repetindo com pessoas que vivem debaixo do mesmo teto. (…) aumenta o número de pais recorrendo a psicólogos, sem saber como lidar com filhos adolescentes que perdem horas de sono e tempo de estudo por estarem mais conetados ao mundo virtual do que ao real. Na visão de especialistas, o problema pode estar na falta de diálogo e na dificuldade dos pais em impor limites aos filhos.” (In, “Adolescência no Mundo virtual”, por Claude Bornél)