A cara da Marta

Viviane Freitas

  • 4
  • Jan
  • 2014

A cara da Marta

  • 4
  • Jan
  • 2014

Conversando com uma esposa de pastor, me deparei com algo que existe na minha vida, e que ainda não havia me dado conta.


Nessa conversa, ela disse que, à primeira vista, eu tinha cara de “brava”, e que só depois de conversar comigo, notou que não era bem assim. .

Isso deixou-me com a “pulga atrás da orelha”, e eu procurei, dentro de mim mesma, o motivo disso, pois não me considerava uma pessoa “brava”, e sequer era a impressão que pretendia transmitir às demais pessoas. Por isso, passei a encarar como algo que estava oculto na minha vida.

Para mim, parecia que o tempo nunca era suficiente para fazer tudo o que tinha a fazer. O orgulho e o medo de dizer não, ou não fazer determinadas coisas, e dar motivos de falarem mal de mim; de querer tudo perfeito, de querer fazer tudo ao mesmo tempo. Tudo isso contribuía para que me sobrecarregasse, não enxergando o quanto me tornava em uma pessoa chata e “brava”.

Lembro-me de um casal que veio morar connosco, e eles eram o oposto de mim e do meu esposo. Enquanto eu procurava, exaustivamente, manter a casa em ordem e impecavelmente limpa, ela não demostrava tanto interesse assim, o que me deixava frustrada e chateada. Percebia-me murmurando comigo mesma, questionando porque motivo ela não se interessava com os assuntos da casa… parecia que não “estava nem aí”, e que eu morava só. Para mim era uma situação incómoda!

Foi aí que descobri que isso não me dava nem um direito, de querer exigir dos outros alguma coisa, ou que mudassem a sua maneira de ser por minha causa. Eu é que deveria procurar forma de resolver as situações, sem criar nenhum tipo de conflito ou constrangimento. Resolvi ver as coisas diferentes; resolvi ver tudo como uma oferta, e cada um dá o que tem, ou o que quer dar. Aprendi a ensinar, e não a exigir que as coisas sejam feitas à minha maneira.

Deus mostrou-me o quanto eu estava a ser como Marta, que de tão preocupada com o que os outros pensariam dela, em querer demostrar perfeição e eficiência, acabava por se descuidar do que realmente é importante.

E me peguei imaginando a cara que Marta devia ter. Sem dúvida seria a mesma que eu tinha: De “brava”, de exigente comigo mesma e, consequentemente, com as pessoas que estão ao meu redor.

Estou a aprender a não me deixar dominar pela preocupação com o tempo, com os afazeres, com o que vão pensar de mim, e a investir mais as minhas energias na minha relação com Deus.
Isto, sem me descuidar das demais coisas, mas não vivendo em função das mesmas.

É questão de priorizar o mais importante, que é a comunhão com Deus, e as demais coisas deixarão de ser vistas como problemas.