Falar para o “boneco”…

Andreia Petrucci

  • 4
  • Mai
  • 2015

Falar para o “boneco”…

  • 4
  • Mai
  • 2015

Os portugueses usam esta expressão para identificar, de forma simples, quando alguém está a falar e os ouvintes fazem pouco caso, seja qual for o assunto ou a situação.

Como num avião, no momento em que a hospedeira de bordo ou o filme explicam as principais normas de segurança, percebemos através de um simples relance que alguns passageiros estão entretidos com os seus telemóveis, ipads, a ler revistas ou até mesmo a conversar. Ignoram por completo as regras de segurança (a hospedeira está a “falar para o boneco”).
Alguns já ouviram uma vez ou mais, outros não estão interessados em dispensar alguns minutos do seu tempo a algo que supostamente não os entretém.
A verdade é que mesmo enquanto os passageiros de um avião estão distraídos, em todos os voos, 365 dias por ano, são explicadas as mesmas normas, de forma consecutiva.

Assim acontece em casa, quando os pais falam e tantas vezes os filhos adolescentes ou maiores, fingem que “ouvem” ou de forma mais desrespeitadora e desafiadora, voltam as costas, ignorando o que lhes está a ser transmitido.

Aqui eu pude avaliar duas lições preciosíssimas, que podemos trazer à nossa realidade:

– Independentemente das reações ou da atenção das demais pessoas, devemos cumprir o nosso papel:
Como pais, mães, educadores, esposas de pastor, obreiras, membros ou cristãos. Ainda que pareça que são poucos os que nos ouvem e que por momentos estejamos a clamar para o “vazio”.

“…prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não,corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.“ (IITm.4:2)

– Em algum momento, para o ouvinte, aquilo vai fazer sentido ou será necessário. E mesmo que não seja na hora do alerta ou da justa repreensão, as palavras são como sementes, que mais tarde se tornarão preciosas e nos farão lembrar do que foi dito há horas, há dias, há meses, ou até há muitos anos atrás.

Se cada um de nós souber cumprir o seu papel, a responsabilidade deixará de ser de quem transmitiu a mensagem e passará a ser daquele que deveria estar atento à instrução e não deu ouvidos. Pois cada um torna-se responsável pelas suas próprias ações, sobretudo após um alerta.

O nosso problema não é – muitas vezes – as pessoas não nos ouvirem, mas a falta de força que temos em continuar perseverantes na nossa confiança.

E pode perguntar: “Mas vou falar, continuar a insistir e repetindo sempre as mesmas palavras?” Não!
Quando falamos com Deus, também somos instruídos que não devemos usar de “vãs repetições”, então, também não nos podemos tornar inconvenientes perante qualquer pessoa, mesmo sendo próxima.

Estando a pessoa atenta ou não, no avião não há repetições da demonstração dos procedimentos. A vida continua…

Fale acerca de um assunto importante uma vez, requerendo total atenção. Para isso, peça a direção de Deus para o momento oportuno, ore, faça um jejum, submeta a situação a Deus… como fez a Rainha Ester, antes de resolver um problema crucial. Aja sempre em parceria com Ele!
Se interiormente a pessoa estiver atenta ou não, ou a absorver o que lhe está a dizer, será da responsabilidade dela.
Quando ela precisar e no momento em que Deus a fizer lembrar, ainda que seja uma palavra, virá até si e pedirá orientação e aconselhamento.

“Se aquele que ouvir o som da trombeta, não se der por avisado, e vier a espada, e o alcançar, o seu sangue será sobre a sua cabeça. Ele ouviu o som da trombeta, e não se deu por avisado, o seu sangue será sobre ele; mas o que se dá por avisado salvará a sua vida.” (Ez.33:4,5)

Só não desista ou se canse de fazer o seu papel, mesmo que momentaneamente pareça estar a falar para o “boneco”… Você confia em Deus?! As suas semente vão dar frutos!

No próximo post estaremos a dar continuação a este assunto, mas antes gostaria de saber a sua opinião. Partilhe-a connosco!